quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O COMPROMISSO TRANSFORMA

Recentemente tivemos um caso polêmico em Porto Alegre, onde uma professora impôs a um aluno a penalidade de pintar a parede que pichou com o seu nome após a comunidade, num mutirão cívivo, ter pintado toda a escola no dia 7 de setembro. Esse fato motivou um grande debate nos órgãos de imprensa questionando a conduta do aluno e da professora. Sabe-se que diante da exposição o jovem de 14 anos ficou tão envergonhado que não estava mais querendo retornar à escola. A professora teve o apoio da comunidade que entendeu correta a sua atitude, mesmo tendo chamado o guri de bôbo da corte, o que não foi acompanhada por especialistas que entenderam tratar-se de um ato arbitrário e pouco pedagógico. Entretanto, chamou-me a atenção um debate que assisti sobre o caso, com a participação de alguns educadores. Nesta oportunidade, ao final do programa, a professora de uma escola conhecida na cidade, frequentada por crianças e jovens de classe média alta, asseverou que sua instituição de ensino "educava as crianças para serem agradáveis a si e aos outros". A partir desta afirmação comecei a entender o grande problema que estamos vivendo porque ele é um reflexo evidente do nosso tempo e caracterizador da pós-modernidade que é viver o prazer. Para sermos agradáveis a nós mesmos temos que fazer aquilo que nos dá prazer, que satisfaça os sentidos. Consequentemente para sermos agradáveis aos outros terão que ser somente "os outros" que me dão prazer ou até me darem prazer. Isso gera problemas profundos da relação do homem com ele próprio, consubstanciado no vazio existencial, e também com os outros pela perda da dimensão da alteridade. Mergulhados nesta realidade percebemos que somos culpados e vítimas de um mundo que nós criamos. Nossa tarefa é transformarmos esse ambiente porque somos senhores de nossa história e para que isso ocorra é fundamental que tenhamos uma educação que construa um homem comprometido consigo e com os outros.