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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr sobre as eleições 2010.

O posicionamento firme, claro, sereno e lúcido do Pr. Paschoal Piragine, da Igreja Batista de Curitiba, merece ser escutado e divulgado.
Merecem uma atenta reflexão estas palavras.
Não é ele o primeiro a dizê-lo, muitas vozes têm se levantado no Brasil para falar sobre o patrulhamento ideológico e o cerceamento de direitos fundamentais, principalmente o primeiro deles, o direito à vida, sem o qual não há nenhum outro direito.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Aborto - é Fantástico!

O uso de um meio de comunicação social como a televisão para fazer a apologia explícita ao aborto pode ser considerado crime (conforme o art. 287 do Código Penal Brasileiro, que prevê pena de detenção de 3 a 6 meses, ou multa, para quem faz apologia ao crime), já que o aborto é crime no Brasil (conforme os artigos 125 e 126 do já citado Código Penal).
Por isso a Rede Globo, na reportagem de seu programa dominical chamado Fantástico, ontem (1o/08/2010), não propôs, em momento algum, que se legalizasse o aborto no Brasil ou sequer argumentou favoravelmente ao aborto como solução (!) para os problemas relacionados com a saúde da mulher em nosso país.
Mas insinuou tudo isso, pois mostrou alguns dos "açougues" de última categoria em que mulheres matam seus filhos nas piores condições de higiene e segurança. E os "açougueiros" de plantão (médicos, enfermeiras e recepcionistas) demonstraram não dar a mínima importância a isso, contanto que recebam o dinheiro que cobram pela "carnificina". Mas o que se poderia esperar de um médico que não se importa em matar uma criança? Que se importe com a saúde da mãe dessa criança?
A Rede Globo insinua, com a reportagem, que legalizar o aborto no Brasil "resolveria" o problema das internações (e eventuais mortes) causadas por abortos realizados sem condições mínimas de higiene e cuidados, pois evitaria a existência de tais clínicas.
Ora, isso é nos chamar a todos de estúpidos. Afinal, já não há leitos suficientes no SUS para atender aos problemas de saúde gerais da população; as pessoas precisam esperar meses na fila para conseguir uma consulta médica; em certos casos, mesmo quem está quase morrendo não é atendido. Como, então, seria possível realizar abortos em hospitais públicos, através do SUS? Quem faria o "milagre da multiplicação dos leitos"? Ou melhor, quem seria deixado sem atendimento para viabilizar uma internação para a realização de um aborto?
Além disso, pela deficiência no atendimento do SUS, as mulheres pobres ou de classe média baixa, que não poderiam pagar por um aborto em um hospital particular, continuariam recorrendo a clínicas baratas, agora com seu "negócio" legalizado. E continuariam morrendo ou tendo complicações graves, pela mesma falta de condições que hoje é denunciada pela televisão, revistas e jornais. Ou alguém acredita que, com a legalização, essas clínicas passariam a ser corretamente fiscalizadas? Qual é a fiscalização que funciona neste país?
Logicamente - e esse é, para mim, o ponto mais importante - ninguém pensou na vida dessas crianças. Matar uma criança - que, afinal de contas, é o que faz o procedimento de aborto - foi colocado pela reportagem como algo corriqueiro, tão justificado, necessário e normal quanto ir ao dentista. Matar uma criança que não nasceu (e que, portanto, já está viva, é uma pessoa humana, tem direito à vida, mas é incapaz de se defender e não está visível, diante dos olhos de todos) é o mesmo que "resolver um problema". De tudo o que foi explicitado na reportagem, esse é o ponto mais revoltante.
As estatísticas apresentadas são estarrecedoras: falam do número de curetagens em razão de abortos em um período de 13 (!) anos no Brasil sem diferenciar aborto espontâneo de provocado; sugerem que a mulher brasileira típica é aquela que aborta, embora não seja a maioria; falam que um percentual considerável de mulheres brasileiras já fez pelo menos um aborto na vida, mas o universo considerado foi somente o das mulheres que vivem nas grandes capitais, dando a entender que não há mulheres fora dos grandes centros urbanos...!
Quanto ao Conselho Federal de Medicina, tem uma posição no mínimo lamentável. Ao receber uma denúncia de que um médico está cometendo um ato ilegal no exercício da medicina, ao invés de cassar o dito médico, resigna-se a fazer uma advertência? Mas é preciso entender essa posição: há certamente médicos que fazem o mesmo que esses mostrados pela reportagem, porém em clínicas bem aparelhadas e caras, destinadas a atender uma parcela específica da população, que pode pagar pelo "serviço de açougueiro". Esses médicos não foram mostrados pelo Fantástico. Mas deveriam ser cassados também. Como o Conselho não tem nenhum interesse em cassá-los, limita-se a advertir os que lhe são denunciados, para não ser acusado de omissão.
Tudo isso é lamentável e triste.
Mas, legalize-se o aborto: será que a situação  da mulher vai mudar para melhor? Só os ingênuos, os desprovidos de qualquer senso crítico diante da "telinha" acreditam nisso. Os mal-intencionados de plantão querem é fazer crer que a "culpa" dos problemas da saúde feminina no Brasil é dessas crianças que não pediram para serem concebidas e estarem ali.

Faço um link para o blog do Reinaldo Azevedo, que escreveu um texto muito melhor do que o meu e bastante crítico e esclarecedor sobre a reportagem do Fantástico:

Ainda, no mesmo blog, sobre as "acusações" de ser católico e, por isso, contrário ao aborto:

Por fim, sobre as incoerências dos abortistas atuais:

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Aborto e a Liberdade

Texto de Franklin Cunha, médico

"O aborto é uma manifestação desesperada das dificuldades da mulher para realizar uma opção livre e consciente na procriação e uma forma traumática de controle da natalidade. Mesmo numa consideração não religiosa, o aborto é um signo de rendição, nunca uma afirmação de liberdade". (Alessandro Nata, secretário-geral do Partido Socialista Italiano. Rinascita, 1975)

Para Isaiah Berlin (1909 – 1993), os valores fundamentais do ser humano são diversos e nem todos compatíveis entre si. A possibilidade de conflito e tragédia nunca poderá ser eliminada por completo, nem na vida pessoal nem na social. A necessidade de se eleger entre os valores é, pois, uma característica humana da qual não se pode fugir. A liberdade é um desses valores e por isso precisa ser definida. E recorremos ao mesmo Berlin, o qual distingue dois tipos de liberdade: a negativa e a positiva. O sentido negativo do conceito de liberdade está contido na pergunta: "até que limites eu posso agir sem prejudicar os limites das outras pessoas"? O sentido positivo deriva do desejo por parte do ser humano de ser seu próprio dono, de que ninguém decida por ele e de não ser dirigido por outros homens como se fora uma coisa, um animal, um escravo. Para Berlin, os dois conceitos são distintos e suas diferenças produzem conseqüências teóricas e práticas distintas e importantes. Daí a possibilidade deles poderem entrar em choque irreconciliável e quando isso acontece surge o problema da escolha. A liberdade, em todo o caso, não é o único valor. O grau que um ser humano dela desfruta deve ser equilibrado com outros valores – igualdade, justiça, direito à vida, felicidade, segurança, ordem pública – e por isso a liberdade não pode ser ilimitada. A do mais forte – econômica, intelectual ou fisicamente falando – tem que ser limitada. O Estado não pode oprimir os cidadãos; aos patrões não deve ser permitido explorar os empregados; os homens devem ser impedidos de subjugar as mulheres; os pais não podem dispor da vida de seus filhos, mesmo quando ainda não nascidos.

O eixo central sobre o qual gira todo o discurso abortista é a libertação da mulher da escravidão reprodutiva. A liberação do aborto seria, em última instância, o preço a pagar para se conseguir a verdade emancipação feminina. Analisando o slogan: "o útero é meu e dele faço o que quero", na verdade exprime um conceito de propriedade privada capitalista. O critério básico de opção sobre a vida do filho é somente o interesse pessoal. Esse modo de opção caracteriza um individualismo radical. É como se o empresário dissesse: "a fábrica é minha e faço dela o que me aprouver"; o banqueiro afirmasse: "o dinheiro é meu e o aplico onde quiser" ou o agricultor aclamasse: "a terra é minha e nela faço o que bem entender". "O útero é meu e com o embrião faço o que quiser" significa a mais completa vitória do consumismo sobre o valor da vida. Nesse sentido a relação mãe-filho não é mais dimensionada em termos do amor entre seres humanos, mas em função da propriedade privada, egoísta, hedonista e predatória. A mulher passa a ser possuidora de um filho-objeto, como possui um automóvel, um vestido, uma jóia, uma conta bancária. E o filho ou feto-objeto também passará a ser a premissa da criança-objeto que, de acordo com o contexto político-social e pessoal, poderá, como um objeto qualquer, vir a ser eliminado. Tal tipo de raciocínio reflete não somente uma maneira de se entender as relações mãe-filho, mas, de modo mais amplo, todo um estilo de viver a sexualidade. Com a liberação total da prática do abortamento, o "consumo do sexo" ficará associado a todas as demais formas de consumo, porque então tudo se reduzirá à busca egoísta do prazer. A banalização do aborto tem como premissa e conseqüência a banalização do ato sexual.

Um outro aspecto do qual as bravas feministas não se aperceberam é de que elas em sua justa luta assimilaram os paradigmas machistas. Pensando bem, um estilo de vida que despreza a maternidade, a feminilidade e reduz o sexo a um "flash" de prazer é um estilo despoticamente falocrático. Na verdade, o macho na sociedade de consumo ilimitado é o único que verdadeiramente se beneficia com a liberação do aborto, porque dessa maneira ele pode desobrigar-se de todas as responsabilidades em relação à mulher. A ele cabe o prazer do orgasmo (nem sempre compartilhado pela parceira) e a gratificante confirmação de sua máscula capacidade reprodutora. À mulher cabe o papel de receptáculo desse prazer e o dever dramático de eliminar a nova vida, para que o varão se livre das conseqüências de sua recreativa e irresponsável atuação.

A batalha pelo aborto livre resulta, assim, numa luta não mais para a liberdade da mulher, mas para a maior liberdade do homem. É ele que lhe concederá o direito de abortar para, uma vez mais na história, relegá-la coercitiva e tragicamente às suas funções de mulher-objeto. No processo de abortamento – tanto no liberado como no clandestino – a mulher sai dilacerada, ofendida, ultrajada. Com seu útero vazio, mas com seu coração cheio de dor e ressentimento.

A estratégia da luta feminista – e o pretendido direito ao aborto se encaixa dentro dessa luta – talvez deva ser direcionada não para participação nas aspirações e no poder androcrático, mas para a modificação do conceito global de poder, tal como ele foi até agora historicamente estabelecido. E certamente a liberdade da prática do abortamento em nada contribuirá para essa modificação. Assim a mulher terá na construção da cidadania um papel realmente ativo e não apenas, como a história a engaiolou até agora, a passiva função de um mero pássaro cativo e decorativo.