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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Roman Polanski e os padres pedófilos


Roman Polanski, judeu polonês, é mundialmente reconhecido como um grande cineasta (um filme recente do diretor, bastante pesado pela temática, mas belíssimo é "O Pianista", de 2002). Também é lembrado por um fato trágico que abalou sua vida pessoal: o assassinato de sua esposa, Sharon Tate, atriz, grávida de oito meses, em 1969, pelo grupo satânico liderado pelo psicopata Charles Manson.
Recentemente, porém, Polanski esteve na mídia por causa de um crime que cometeu em 1977: o abuso sexual de uma menina de 13 anos, nos Estados Unidos. O diretor encontrou com a menina na casa de um amigo, drogou-a e alcoolizou-a e manteve relações sexuais com ela. Por causa disso, foi processado criminalmente e condenado naquele país. Para fugir da prisão, desde essa época passou a residir na França, viajou pela Europa e pelo mundo, mas não retornou aos Estados Unidos. No final de 2009, ao passar pela Suíça para receber uma homenagem em um festival de cinema, foi colocado em prisão domiciliar enquanto aguardava a decisão desse país sobre sua possível extradição para os EUA. No entanto, no início deste mês (julho), as autoridades suíças decidiram libertá-lo.
Enquanto a polêmica se instaurava, boa parte das celebridades do mundo do cinema manifestou-se contrariamente à prisão e à extradição de Roman Polanski, apesar de sua condenação e do crime que manifestamente cometeu (ele chegou a confessar o abuso sexual ainda em 1977).
Paralelamente a isso, a Igreja Católica foi (e continua sendo) ferozmente atacada por causa dos abusos sexuais cometidos por padres pedófilos há 20 ou mais anos atrás. Claro está que não é a maioria dos padres e que muitos desses abusos denunciados foram multiplicados pela imprensa, desejosa de criar mais uma polêmica envolvendo os sacerdotes católicos e a Igreja.
Mas há uma certa incoerência nisso tudo...
Não se trata de apoiar a pedofilia, que é um crime terrível e deve ser combatido, não importando quem sejam os autores, porque é preciso, antes de tudo, proteger, defender e preservar as crianças e sua integridade física, mental e moral. Sejam sacerdotes ou diretores de cinema, professores ou atores, enfim, qualquer um que abuse sexualmente de uma criança ou de um adolescente deve ser punido.
Por que, no entanto, Roman Polanski não é tratado pela imprensa em geral e por seus colegas com a mesma rigidez? Por que pedir a libertação de Polanski ao mesmo tempo em que se pede a prisão para os padres católicos? Não se trata do mesmo crime? Em um caso e noutros, não se passaram igualmente muitos anos? O que torna diferente um abuso de outro?
É lamentável que a Suíça tenha decidido libertar o diretor de sua prisão domiciliar e não extraditá-lo para os Estados Unidos, onde pagaria pelo crime que cometeu no passado. E mais lamentável ainda é que a comunidade internacional tenha aplaudido, quando deveria, no mínimo, ter ficado indignada.
Para maiores informações sobre a biografia e a filmografia de Roman Polanski, sugiro consultar a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Roman_Polanski).
Sobre o processo e a liberação de Roman Polanski, entre outros sites de notícias, acessem o G1 (http://bit.ly/9PvayX).

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Oportunidades e mérito - paternalismo ou justiça?

Do mais rico ao mais pobre, o brasileiro em geral padece de uma doença cultural bastante grave: o assim chamado “coitadismo”. Alguns sintomas dessa doença são a visão de si mesmo como eterna vítima das circunstâncias, a falta de esforço pelo crescimento pessoal, o acomodamento, o queixume constante e a mediocridade. O baixíssimo nível de empreendedorismo e a corrida aos concursos públicos como sinônimo de “segurança” são outros sinais da doença do “coitadismo” que acomete a sociedade brasileira.

Somos paternalistas. Gostamos de que nos dêem as coisas que, na verdade, deveríamos merecer, lutar para obter, ganhar com o nosso próprio esforço.

Questão de justiça, porém, é dar oportunidade a todos. Uma vez que todos tenham acesso ao que é justo, devem “chegar lá” os melhores. Um Brasil melhor e mais justo será um país de oportunidades, não um país das cotas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O COMPROMISSO TRANSFORMA

Recentemente tivemos um caso polêmico em Porto Alegre, onde uma professora impôs a um aluno a penalidade de pintar a parede que pichou com o seu nome após a comunidade, num mutirão cívivo, ter pintado toda a escola no dia 7 de setembro. Esse fato motivou um grande debate nos órgãos de imprensa questionando a conduta do aluno e da professora. Sabe-se que diante da exposição o jovem de 14 anos ficou tão envergonhado que não estava mais querendo retornar à escola. A professora teve o apoio da comunidade que entendeu correta a sua atitude, mesmo tendo chamado o guri de bôbo da corte, o que não foi acompanhada por especialistas que entenderam tratar-se de um ato arbitrário e pouco pedagógico. Entretanto, chamou-me a atenção um debate que assisti sobre o caso, com a participação de alguns educadores. Nesta oportunidade, ao final do programa, a professora de uma escola conhecida na cidade, frequentada por crianças e jovens de classe média alta, asseverou que sua instituição de ensino "educava as crianças para serem agradáveis a si e aos outros". A partir desta afirmação comecei a entender o grande problema que estamos vivendo porque ele é um reflexo evidente do nosso tempo e caracterizador da pós-modernidade que é viver o prazer. Para sermos agradáveis a nós mesmos temos que fazer aquilo que nos dá prazer, que satisfaça os sentidos. Consequentemente para sermos agradáveis aos outros terão que ser somente "os outros" que me dão prazer ou até me darem prazer. Isso gera problemas profundos da relação do homem com ele próprio, consubstanciado no vazio existencial, e também com os outros pela perda da dimensão da alteridade. Mergulhados nesta realidade percebemos que somos culpados e vítimas de um mundo que nós criamos. Nossa tarefa é transformarmos esse ambiente porque somos senhores de nossa história e para que isso ocorra é fundamental que tenhamos uma educação que construa um homem comprometido consigo e com os outros.

domingo, 23 de agosto de 2009

Reaparece a Tolerância

Na sexta-feira passada, dia 21/08, foi divulgado na imprensa que “a juíza da 3ª Vara Cível Federal de São Paulo, Maria Lúcia Lencastre Ursaia, determinou que os símbolos religiosos (crucifixos, imagens, entre outros) poderão permanecer nos órgãos públicos. Ela entendeu que não ocorreram ofensas à liberdade de escolha de religião, de adesão ou não a qualquer seita religiosa nem à liberdade de culto e de organização religiosa, garantias previstas na Constituição. Para a magistrada, o Estado laico não deve ser entendido como uma instituição antireligiosa ou anticlerical. 'O Estado laico foi a primeira organização política que garantiu a liberdade religiosa. A liberdade de crença, de culto e a tolerância religiosa foram aceitas graças ao Estado laico e não como oposição a ele. Assim sendo, a laicidade não pode se expressar na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos', afirmou ela, na decisão.”
Enfim se vê uma manifestação de equilíbrio, bom senso, tolerância, honestidade e respeito. É justo que esta notícia apareça aqui, depois de havermos falado de intolerância. Na decisão da juíza aparece o que se espera de um verdadeiro magistrado: equidade. E o respeito aos valores (de origem religiosa, sim, por que não?) que fundamentam a sociedade brasileira.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Intolerância

Está na moda, hoje, dizer que tal ou qual grupo ou pessoa é intolerante. Em geral, grupos religiosos são as "vítimas preferenciais" desse adjetivo. Por exemplo, muçulmanos foram acusados de intolerância quando protestam porque charges debochadas sobre Maomé, seu profeta e fundador, foram publicadas em jornal europeu; católicos são chamados de intolerantes quando se pronunciam contra o aborto dos bebês anencéfalos ou as experiências com embriões (oum, para usar o eufemismo, células-tronco embrionárias) ou, ainda, quando seguem afirmando o celibato dos padres (que é um assunto interno da Igreja Católica, diga-se de passagem).
Mas não só os grupos religiosos sofrem desse tipo de acusação. Qualquer um, grupo ou pessoa, que ouse levantar-se para externar uma opinião diferente da suposta maioria ou, ainda, contrário ao que dizem certos cientistas, será imediatamente tachado de intolerante e constrangido a calar-se. Se teimar em continuar falando, sua voz será sufocada pelos gritos de seus "tolerantes" acusadores (ou por seus deboches, o que vem a dar na mesma).
Em uma sociedade democrática, qualquer pessoa ou grupo, minoria ou maioria, pode opinar sobre os temas de interesse comum. Ainda que a sociedade, democraticamente, rejeite a opinião desse grupo ou indivíduo, a este deve ser garantido o direito de argumentar a respeito de seu ponto de vista e de ser ouvido. O deboche ("mas isso é um argumento religioso") ou o argumento de autoridade ("isso é uma verdade científica" ou "isso está cientificamente provado") são totalitários e, portanto, anti-democráticos.
Onde está, então, a intolerância? Naqueles que pedem respeito a suas próprias posições e o direito de apresentar seus argumentos? Ou naqueles que impedem qualquer manifestação para fazer valer uma posição arbitrária?
Vivemos o tempo dos contrários, quando intolerantes são os que dizem não ser, mais que os rotulados de sê-lo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Leitura do nosso tempo

Há uma tendência nefasta e até mesmo desonesta de julgarmos a história, geralmente com componentes ideológicos, com base em realidades contemporâneas. Um exemplo disso é a miopia como é vista a Idade Média pela modernidade e pós-modernidade. Entretanto a leitura correta de cada tempo, por aqueles que vivem no seu tempo, é fundamental para se identificar os problemas e encaminhar a solução do presente, ter uma visão correta do passado e contribuir para o aperfeiçoamento do homem e da sociedade nos tempos futuros. Talvez isso explique porque cometemos os mesmos erros.